sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

TECNOLOGIA, DESINFORMAÇÃO E CRIMINALIZAÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA

No Brasil, onde a violência policial contra a população negra é estrutural, as notícias falsas sobre crimes supostamente cometidos por cidadãos negros alimentam estereótipos racistas, legitimam abordagens violentas e perpetuam a discriminação. Vídeos descontextualizados, boatos infundados e manchetes sensacionalistas circulam rapidamente na mídia e nas redes sociais, alimentando um discurso punitivista, que influencia políticas de segurança pública e perpetua a discriminação racial no país.

A desinformação serve para confirmar uma ‘memória oficial’ da violência policial em detrimento de histórias e narrativas de pessoas que habitam periferias e favelas. Famílias das vítimas frequentemente se veem forçadas a provar que seus parentes eram inocentes e, portanto, não mereciam a violência do Estado, o que gera impactos sociais profundos. 


Padrões perigosos de vinculação a crimes que muitas vezes esses cidadãos não cometem, como o uso de fotos manipuladas, são práticas históricas de manipulação de informações para legitimar ações autoritárias. Esses padrões também estão relacionados ao tratamento desigual nas abordagens policiais entre comunidades negras e periféricas e áreas brancas e de maior poder aquisitivo. A violência seletiva é apresentada como necessária para manutenção de uma ordem, observa, e usa a difusão do medo como ferramenta de controle social. 

A desinformação tem um papel fundamental em reforçar essa seletividade das ações violentas da polícia, “ampliando e permitindo que circule em novas linguagens” por meio das redes sociais, reflexo da sociedade, criando uma nova arena onde os discursos de ódio contra negros se fortalecem. Uma vez que seus algoritmos favorecem o engajamento e a viralização de conteúdos sensacionalistas. Esses conteúdos nascem primeiramente em grupos fechados e rapidamente migram para redes públicas como Facebook, Instagram, TikTok e X (antigo Twitter). 

Casos emblemáticos ilustram o impacto devastador da desinformação na violência policial contra negros, como o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. A falsificação de seu envolvimento com o tráfico e a propagação de fotos falsas atribuídas a ela evidenciam como a desinformação pode legitimar a violência contra pessoas negras e reforçar um discurso de ódio. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

COLUNAS ANTISSOCIAIS: "SEM MEDO DE MATAR"

 

Um policial mata um motociclista para não pagar a viagem; um policial dá 11 tiros em um jovem que roubou sabão no mercado; um policial atira um homem de uma ponte. Cenas da atuação violenta da Polícia Militar que tomaram o noticiário na última semana não são casos isolados – e é preciso voltar à ditadura militar para entender a sensação de impunidade que domina a polícia brasileira. A Trip ouviu especialistas para entender a origem dessa violência.

No Brasil, a ideia de polícia surgiu séculos atrás, mas foi um longo caminho até que ela fosse organizada como hoje: além das polícias federal, rodoviária e ferroviária, submetidas ao governo federal, cada estado tem uma Polícia Civil, que cuida da inteligência e investigação de crimes, e a Polícia Militar, responsável por atender ocorrências e garantir a segurança pública.

Para Camilo Vannuchi, jornalista e autor do livro e podcast “Eu só disse meu nome”, biografia de Alexandre Vannucchi Leme, estudante torturado e morto na ditadura militar, episódios como os que assistimos recentemente mostram a “certeza da impunidade histórica com raiz na ditadura militar”. Segundo ele, a proteção do Estado a qualquer crime cometido por seus agentes é um ingrediente fundamental para violência policial em 2024.

“O Brasil é um país que não tem pena de morte, mas há um salvo-conduto para matar, torturar, desaparecer com suspeitos e fazer esse tipo de coisa que a gente tem visto. A certeza da impunidade dos agentes de segurança pública tem origem na ausência de punição para qualquer pessoa que tenha torturado e matado durante a ditadura no Brasil”, explica Vannucchi.

“O golpe militar foi dado em 1964 e os primeiros movimentos de resistência armada começaram a surgir em 1969. Como as Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha) não tinham atividades de policiamento, a ditadura achou necessário criar uma força para atuar internamente, seguindo a ética e modus operandi do Exército."

Reorganização das polícias

Em 1969, um decreto do então presidente militar Costa e Silva orientou a reorganização das polícias no Brasil. A Guarda Civil e Força Pública, que realizavam o patrulhamento das ruas e cumpriam um papel secundário de policiamento, viraram a Polícia Militar. A ditadura precisava de uma força ostensiva para cercar ruas, verificar documentos e porta-malas de carros para encontrar “materiais subversivos”.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, o erro está na Constituição Federal, que oficializou a PM. Ele cita o artigo 144, que prevê que as polícias militares funcionem como uma reserva do exército. Segundo ele, isso mantém “os mesmos princípios, treinamentos e atuações da época do regime militar”.

“Os policiais se preparam e vão para as ruas como se estivessem numa guerra onde os ‘inimigos’ são jovens pobres, negros e moradores das periferias. Diante desse legado ditatorial, temos os altos índices de abusos e mortes praticadas por policiais", diz Alves.

Discurso violento

O advogado ainda chama atenção para uma postura do Estado que encoraja a atuação violenta que, somados ao legado da ditadura, resultam numa escalada da violência policial não vista desde a década de 1990. "Em São Paulo, por exemplo, o secretário de segurança Guilherme Derrite, ex-oficial da Rota, e o governador Tarcísio de Freitas deram licenças para os abusos da polícia militar com as declarações que fizeram desde a campanha eleitoral."

Sob comando de Derrite, que em 2021 declarou a um canal no YouTube que foi afastado da Rota [a tropa de elite da PM] por excesso de mortes, a letalidade policial no estado dobrou. De janeiro a outubro deste ano, a PM paulista matou 676 pessoas, segundos dados da Secretária de Segurança Pública — o número é mais que o dobro dos 331 casos registrados em 2022. Só nos últimos 30 dias em São Paulo, 45 PMs foram afastados e dois foram presos por envolvimento em ações violentas.

Quem concorda é Vannuchi. Ele acredita que, além do discurso que endossa atitudes violentas, a sensação de impunidade tem a ver com a anistia. Promulgada durante a ditadura, a Lei da Anistia concedeu perdão a crimes políticos praticado por militares, bem como a quem lutou contra o regime, entre 1961 e 1979.

Nenhum agente condenado 

Ainda que órgãos internacionais tenham determinado que a lei não poderia proteger torturadores de responsabilização, o Supremo Tribunal Federal reafirmou, em 2010, a validade da anistia no Brasil. Até hoje, nenhum agente foi punido por crimes cometidos durante a ditadura. 

“Quando um comandante da polícia diz que jogar um homem de uma ponte foi um ‘erro emocional’, ele está diminuindo a gravidade da situação. Salvo raras exceções, o resultado mais comum é a polícia afastar esse agente da rua como forma de punição mais rigorosa. Essa impunidade tem a ver com a anistia, que permitiu que nenhum torturador sofresse punição até hoje”, afirma Vannuchi.

“Essa violência também tem a ver com os autos de resistência, registros policiais utilizados para justificar mortes ou lesões causadas por agentes de segurança pública em situações alegando confrontos, como em resistências armadas durante operações ou prisões. Autos de resistência dificultam as investigações. É como culpar a vítima do abuso pelo abuso. É um salvo-conduto."

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

PROCURANDO SAÍDA: DESASTRE RELANÇA CLÁSSICO DO PUNK NACIONAL EM VINIL

O Desastre prepara para os próximos dias mais um relançamento de “Procurando Saída”. Desta vez, a obra-prima do metalpunk nacional será imortalizada em vinil colorido de 180 gramas, capa dupla e encarte colorido. Para aquecer os motores do underground e acompanhar a nova edição deste clássico, a banda produziu vídeos de algumas músicas do disco, e lança hoje o primeiro deles: “Revólver”.


Formada em 1996, a Desastre é uma das bandas mais icônicas do punk e do underground nacional. Com seu som inconfundível, a banda acumula 28 anos de história e reconhecimento internacional. Inclusive, seus dois primeiros discos “Pesadelo Real” (2003) e “Perigo Iminente” (2005) foram lançados em formato LP na França e Alemanha, respectivamente. Além disso, a banda possui outros quatro trabalhos lançados em 7": “Funeral na Nova Ordem (2000), “Mundo Velho (2002) , “Espiral de Barbáries” (2017) e "Vasto Deserto" (2018).

Wilton D, fundador e vocalista da banda, conversou com o Dr. Gori sobre esse grande acontecimento que será cantado em verso e prosa durante todo o ano de 2025 no underground nacional!




O álbum Procurando Saída hoje é considerado um clássico um punk nacional. Qual é a expectativa para o lançamento desse trabalho em vinil?
Cara a expectativa é muito boa. O disco vai ficar muito bonito. A capa já tá pronta. Vai ser uma capa dupla um gatefold , né. E vai ter algumas fotos inéditas, outras não, mas a arte de um modo geral tá muito bonita. A prensagem tá sendo feita na Polisom. Então as expectativas são muito boas. Acho que vai ficar um disco muito bonito graficamente, esteticamente falando. Espero que a qualidade da prensagem seja boa também e espero que as pessoas que comprarem o disco fiquem felizes com aquisição.

Como a banda chegou a esse relançamento, foi uma iniciativa de quem?
A primeira pessoa que me procurou foi o Bacural [Bacural Discos, Ímpeto]. Ele me disse que estava em conversa com o Bruno Foca, de São Paulo e que pensavam em fazer o relançamento do disco em LP. A partir da dessa conversa, o Bruno entrou em contato comigo também e foi tudo muito rápido. Eles conseguiram todos os selos e as pessoas que estão participando do relançamento muito rápido. Acho que as primeiras conversas foram ali por outubro/2024 e tudo já foi prontamente organizado. O Bruno é uma pessoa muito organizada e fez com que tudo caminhasse muito rapidamente.

Esse não é o primeiro relançamento de procurando Saída, ele já saiu com uma versão com faixas extras ao vivo..
Sim, ele já foi relançado em CD. Uma segunda prensagem em CD que contou com algumas faixas bônus ao vivo de um show que foi gravado no Martim Cererê com uma formação diferente do que foi a formação que gravou o disco. Esse CD tá disponível ainda pela Two Beers or Not Two Beers Recs. Se alguém tiver interesse, basta entrar em contato com eles que ainda é possível adquirir cópias desta segunda prensagem do CD.


Porque algumas músicas acabaram ficando de fora dessa versão em vinil?
O disco é muito longo e o vinil tem um limite de tempo. Se eu não me engano 22 minutos de cada lado para que tenha uma qualidade melhor. Acho que o “Procurando Saída” todo tem mais ou menos 57 minutos, alguma coisa assim. Não era possível colocar todas as músicas, tivemos que deixar algumas de fora para que o disco não perdesse qualidade na prensagem. Optei por tirar, por exemplo, o cover do Besthöven que o Fofão inclusive lamentou que não tenha sido colocado. Eu falei com ele recentemente e ele disse: “– Pô, vai sair o cover no disco cara?” Além disso, a versão do Belchior que a gente tinha feito não vai estar no LP também, porque a gente não conseguiu autorização dos herdeiros do cara para que a música fosse incluída. Eles disseram que não era possível conceder a autorização porque a versão que fizemos descaracteriza a versão original feita pelo Belchior. Então ficou de fora. Algumas outras ficaram fora também. Eu fiz essa curadoria, quais entrariam e quais sairiam. Mas é isso, infelizmente algumas ficaram de fora por questão de tempo. O LP não suportaria todas as músicas.

Como foi o período de gravação do álbum?
Cara o período de gravação do “Procurando Saída” foi em 2007. Foi uma fase muito produtiva da banda. O que facilitou muito a composição desse disco foi o fato de que a gente tinha um estúdio próprio, que ficava na casa do meu pai. Você sabe, né, você já tocou lá...rsrs. Então o fato de ter o estúdio próprio fez com que a gente tivesse mais tempo para produzir as músicas, pensar nas músicas, e fazer um disco um pouco mais elaborado. Isso foi um fator determinante para que o disco tivesse tanto o tamanho em termos de tempo quanto a profundidade em termos de elaboração musical. Além desse fato, a entrada do Hassan na banda fez com que a gente desse um salto em direção a possibilidades de se trabalhar de forma mais elaborada as músicas em termos de composição. O Hassan era uma pessoa muito versátil na guitarra, então isso puxou o resto da banda. Fez com que a gente passasse a executar ideias que a gente tinha anteriormente, mas que por questões técnicas não conseguíamos. O Procurando Saída existe também porque o Hassan entrou na banda e fez com que a gente pudesse explorar estilos, timbres e possibilidades musicais que anteriormente não eram possíveis por causa das limitações técnicas que tínhamos nas guitarras.

Antes de Procurando Saída, o Desastre tinha já tinha lançado “Mundo Velho” e “Pesadelo Real” e "Perigo Iminente", trabalhos mais crus e diretos… Quais foram os caminhos que levaram até a evolução do o estilo metal punk de Procurando Saída, que é bem mais elaborado musicalmente?
Cara eu acho que é um pouco do que eu falei antes. O Procurando Saída é resultado, em grande parte, do tempo que tivemos para dedicar a composição desse álbum e também da entrada do Hassan no Desastre. Isso foi definitivo para que a gente conseguisse atingir o nível técnico do “Procurando Saída”. Essa coisa mais metal, essas guitarras mais rock-metal que são características desse disco. Sem o Hassan isso não teria sido possível. O “Perigo Iminente” já foi ali uma tentativa de fazer algo mais elaborado, mas dentro das nossas limitações técnicas. A maioria das músicas do perigo Iminente são minhas, o Rato fez duas. Anteriormente, no “Pesadelo Real” à exceção de uma música que o Rato fez, todo o restante foi eu, assim como todas as anteriores. Eu sou um guitarrista tecnicamente muito limitado, né. Jamais conseguiria tocar as músicas do “Procurando Saída”, apesar de ter feito muitos riffs do disco. Mas eu criava os riffs e passava para o Hassan que deixava com o um toque totalmente diferente em termos de paletada, colocava mais elementos que deixava a música muito mais melódica e direcionada para uma pegada metal que é o que a gente estava pensando em fazer. O Danny também compôs nesse disco. “O Inferno não é Um Lugar Ruim”, Me Diga que a Morte Seja Apenas Ilusão” são riffs criados pelo Danny. Então é isso, né, o “Procurando Saída” é resultado desse processo. Um pouco de cada um e principalmente da entrada do Hassan na banda que possibilitou essa atmosfera de experimentar, misturar elementos e estilos musicais: punk, rock, metal, hard rock.


O Desastre é uma banda muito produtiva em termos de lançamentos e a banda voltou a ensaiar com o Fabiano na bateria e o Danny no baixo, que gravaram o Procurando Saída. Após o relançamento de “Procurando Saída” a banda pretende compor material novo com essa formação?
Cara, não nada pensado nesse sentido de fazer novos lançamentos. Por enquanto a gente tá organizando para começar os ensaios para fazer o lançamento do disco. É uma festa, né, de comemoração do lançamento desse disco em LP. Talvez a gente mantenha a formação para fazer shows, mas nem cogitamos a ideia de fazer músicas novas. Temos convites para tocar em São Paulo e tal, mas tudo isso é muito difícil na conjuntura atual. Tudo é muito caro, passagens, comida, todo mundo tem muitos compromissos de tempo e tudo mais. Então não sabemos como será essa dinâmica. O que a gente quer no momento é fazer alguns ensaios fazer esse show de lançamento e vamos levando a coisa na maciota, né. Na medida do que for possível em termos de tempo e de dinheiro.


Deixe aquele recado pra galera…
Heavy, muito obrigado pelo espaço aqui no Dr. Gori. Você que é uma pessoa que sempre acompanhou o trabalho do Desastre. Muito obrigado por todo o suporte que você deu e tem dado para banda ao longo dos anos. Muito obrigado por essa amizade. Esperamos que o LP esteja disponível já no início de fevereiro/2025. Agradeço muito a todos os selos e pessoas que estão envolvidas no lançamento do LP. O disco vai ficar muito bonito, com uma qualidade muito boa. Então espero que o lançamento reifique o valor que muitas pessoas dão para esse disco. Muito obrigado, um abraço a todos, e espero ver vocês por aí. Ao pessoal de Goiânia, espero ver vocês no lançamento do disco que deve acontecer em breve.  




terça-feira, 21 de janeiro de 2025

COLUNAS ANTISSOCIAIS: EVA ESTÁ AQUI


EVA ESTÁ AQUI

Júlio Maria

Jornalista e biógrafo

Aos poucos conheço Eva. Não pelos livros nem pelo cinema, mas pela memória de sua filha, com quem me casei há três meses. Eva não resistiu à sobreposição de eclipses sobre sua luz antes de ser sepultada na indigência da História. Casada com o intelectual comunista Clodomir Santos de Morais, um dos líderes das Ligas Camponesas, ela teve sua coragem e seus sofrimentos sombreados pela coragem e sofrimento dos homens. 


Eva não morou na Zona Sul do Rio nem em Higienópolis. Era uma gaúcha cabocla de poucas palavras que queria capacitar famílias rurais para que elas não precisassem de governos. Viveu parte da infância escravizada em uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul, foi abusada por um padrasto e, quando aderiu à resistência armada pelas causas camponesas, abaixou-se para dizer algo olhando nos olhos da filha: “Se um dia eu mandar você correr, corra e não olhe para trás.”

      

Quando tinha 22 anos, em 12 de dezembro de 1962, Eva estava com Clodomir e o motorista em um jipe Aero Willys passando por Parada de Lucas, no Rio. O pneu do carro furou e os policiais apareceram. No interior do veículo havia 72 armas de grosso calibre sendo levadas para municiar camponeses na luta por terras. 


Os três foram conduzidos para a Invernada de Olaria, uma zona de tortura instalada no Rio. Fios foram desencapados e 15 homens se reuniram para seviciá-la enquanto Clodomir apanhava em outra sala. Como se negou a ficar nua, um deles a segurou enquanto outro rasgou sua blusa. A sessão começou com o jogo de peteca: Eva ficava no meio de uma roda para ser esbofeteada. Um tapa a lançava por alguns metros e outro agente a devolvia com outro tapa.

     

Eles a colocaram no pau de arara, mas, como Eva não dizia nada sobre o marido e as Ligas Camponesas, alguém trouxe os fios. Dois deles foram penetrados em seus ouvidos para disparar choques nos tímpanos enquanto outras pontas foram presas à cabeça. Eva só gritava. Colocaram pontas de fios nos bicos dos seios e introduziram outra em sua vagina. Dispararam cargas elétricas até Eva perder os sentidos. Em abril de 1963, uma CPI foi aberta para apurar os exageros da Invernada de Olaria. Eva se tornou a primeira mulher a relatar a tortura no Brasil. E a história nem havia começado.


O Golpe de 1964 levou Eva e o marido de novo à prisão e, em seguida, os obrigou a sair do país. Exilaram-se no Chile e seguiram depois por México, Costa Rica, Honduras, Portugal, Nicarágua e Alemanha Oriental, onde Eva teve a certeza de que sua família estava sendo vigiada pela Stasi, a polícia secreta do regime comunista. 


No dia em que Clodomir, devoto do sistema, a viu com o ouvido colado à parede da sala auscultando ruídos de fios colocados por espiões, decidiu interná-la. Eva chegou a mostrar à filha como os espiões os vigiavam do prédio da frente, mas nada a livrou de passar um ano tomando, desta vez, eletrochoques alemães. Dois anos depois de voltarem ao Brasil, o muro caiu e a espionagem aos brasileiros foi comprovada. 


Clodomir a deixou por uma mulher 35 anos mais jovem. Eva caiu em depressão e morreu de câncer em 2000.  


Novembro de 2024. Saio de uma sessão de “Ainda estou aqui” com Indiana, a filha de Eva. Eu sei por que ela chora. O filme aclamado por tantos justos motivos é asséptico, higienizado e estético. A Zona Sul cuidadosamente contada pela Zona Sul. Até os carros antigos brilham como se a moda fosse encerá-los todos os dias. A trilha sonora traz brasilidades de pista e as Fernandas, filha e mãe, estão leves e tocantes. 


Mostra-se a masmorra, mas não a tortura, e parece importante que um personagem diga algo com repulsa ao revelar as ações do desaparecido Rubens Paiva à sua mulher, Eunice: “Nunca pegamos em armas.” Como filha, Indiana se sente traída pelos únicos mediadores que podem contar às massas sobre o passado mais ameaçador da História do Brasil. 


Como biógrafo, só não me sinto um fracasso porque segurei as mãos de Indiana e disse, enquanto ela chorava: “Chegou a hora de contar a história de sua mãe.”


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

6º SENTIDO LANÇA VÍDEO DA MÚSICA "MUNDO DO PRECONCEITO"

A banda goiana Sexto Sentido lançou no final do ano o lyric vídeo de seu som mais recente “Mundo do Preconceito” no seu canal do Youtube. A banda é formada por Guilherme Leandro (guitarrista), Lucas Alves (guitarrista), João Flávio (baterista) e Kennedy Alves (vocalista e baixista). O Dr. Gori bateu um papo rápido com o vocalista e baixista Kennedy Alves sobre esta novidade.

Vocês lançaram o vídeo da música “Mundo do preconceito”. Porque essa música foi escolhida e sobre o que ela fala?
A música mundo do preconceito foi escolhida por nós do 6°SENTIDO para este lançamento que vai estar em lyric vídeo em parceria com a Motim Underground , é em breve estará disponível em mídias digitais de música, por que e uma das primeiras composições da banda, e também e uma música que abrange mais de um estilo entre uma pegada de metal , com uma pegada punk rock também.

Essa música fala sobre uma crítica social, no qual aborda o julgamento da sociedade sobre você a respeito do que você tem em valor financeiro, e também aborda como para os políticos o dinheiro resolve tudo, mesmo que sejam presos sempre pagam fiança. E caso a pessoa pense em cobrar ou mudar o seu papel nisso, a sociedade te julga por ser um crítico do sistema.

A presença da banda nas plataformas de streaming e redes sociais também é um ponto forte de divulgação do trabalho de vocês?
Sim. Esse não e o primeiro material em vídeo que a gente disponibilizou para o nosso público que gosta da banda , temos matérias em vídeos dos shows ao vivo que fizemos no decorrer do ano de 2024 , hoje o 6°SENTIDO conta com materiais em todas as mídias digitais de música é streaming , estamos nas principais plataformas como Spotify, Deezer, YouTube, Amazon Music, Apple Music e vários outros.
 
Vocês vão mostrando o repertório de vocês de single em single. Já estão preparando um trabalho tipo EP ou CD, quando a gente vai poder ouvir ver um trabalho completo da banda?A banda vem lançando singles no decorrer dos anos entre 2023 e 2024 , essa foi uma forma de conseguir fazer novos materiais conforme as condições financeiras da banda, por tanto temos um projeto de estar lançando um EP de 5 faixas com duas músicas novas no repertório , e futuramente conforme as condições financeiras e a disposição da banda , a gente tem planos de lançar também um álbum pra galera que gosta da banda.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

GERAÇÕES PERDIDAS LANÇA QUARTO TRABALHO "SOBREVIVENDO EM TEMPO DE ÓDIO"

 O Gerações Perdidas surgiu no início de 2010 e teve seus primeiros ensaios em um galpão de fábrica nos arredores do bairro Vila Nova, na cidade de Goiânia.  E hoje e formada por Matheus germano (vocal), Guilherme de Sousa (baixo),  Jonas Neto (guitarra) e Fred Rezende (bateria).

O nome veio de uma música da própria banda, que queria algo que representasse sua postura e seu som, além de representar as gerações que foram mortas, exterminadas e silenciadas, tanto na ditadura militar, como atualmente pela violência e pela repressão da polícia nas periferias, em um extermínio da juventude que está estampado diariamente em nossa sociedade. 

Inclusive a violência policial nas periferias é o tema da faixa "Na periferia intervenção militar é todo dia" que ganhou um lyric vídeo e estreia amanhã no youtube. O quarto trabalho da banda, “Sobrevivendo em Tempos de Ódio” é composto de nove faixas gravadas em dezembro de 2019 e está sendo lançado por vários selos independentes simultaneamente.

Nesses dias agitados que a banda vem passando com correria de fim de ano, show de lançamento do novo trabalho e do videoclipe, o vocalista Matheus Germano achou um tempo pra bater um papo com o Dr. Gori sobre as novidades da banda.


Vocês estão lançando o vídeo da música “Na periferia, a intervenção militar é todo dia”, do trabalho que está prestes a ser lançado. Porque essa música foi escolhida e sobre o que ela fala?

E aí, galera, firmeza? Então, por vários motivos. O primeiro deles é que queríamos colocar uma música alternativa desse trabalho novo que estamos lançando, a música “Desalojados” já abre o álbum, então a chance seria destacar outra música que gostamos muito e que mereceria destaque.

Outro ponto é que vivemos, durante os últimos anos, a real possibilidade de um golpe militar no Brasil. Nesse sentido, essa música seria um alerta para que não se repita, como ocorreu diversas vezes durante o século XX, outro golpe militar.  

Enfim, a música “Na periferia...”, enfatiza que, com a militarização da segurança pública, os supostos ganhos com a redemocratização de 1988 não chegaram as camadas mais pobres, periféricas e faveladas do país que tem que conviver, cotidianamente, com violações de direitos humanos, chacinas e demais políticas de extermínio.

Esse vídeo já faz parte do quarto trabalho da banda, “Sobrevivendo em tempos de ódio”, que vocês estão prestes a lançar… qual é a expectativa de vocês para esse lançamento?

Eu, particularmente, fico muito feliz com esse lançamento! As nove músicas que compõem esse álbum foram gravadas em finais de 2019, estávamos com uma ótima frequência de shows e no auge da nossa formação, a expectativa era fazer o lançamento no primeiro semestre de 2020 para, inclusive, comemorar os 10 anos da banda. Mas, infelizmente, em início de 2020, com a pandemia do Covid, a banda teve todos os seus shows cancelados, o lançamento do álbum postergado e, mediante a todos desafios que vivemos em nossas vidas pessoais, encerramos a atividade da Gerações Perdidas nesse mesmo ano, retornando, com uma nova formação, em 2024.

Nos dois últimos trabalhos “Gerações Perdidas”, lançado em 2012 e o compacto 7’’ intitulado “Motivos para resistir”, a banda foi evoluindo musicalmente.. para esse novo trabalho como foi o processo de composição e o que a galera pode esperar das músicas?

As músicas que compõem esse álbum foram feitas durante o período de 2015 a 2019, num momento de ascensão e refluxos de diversas lutas sociais no Brasil. “Desalojados” foi feita no momento de pós-Olimpíadas e Copa do Mundo, no calor do movimento “não vai ter Copa”, que gritava contra as práticas de remoções de moradias populares para a construção da infraestrutura desses megaeventos, bem como o reflexos violentos da especulação imobiliária para as camadas populares. “Na periferia” expressa o momento de nascimento da nova extrema direita no Brasil, os primeiros momentos em que setores da classe média passou a clamar pela intervenção militar. “Crimes de misoginia/homofobia” é um reflexo do recrudescimento do feminicídio e da lesbo/homo/transfobia deste período. “Escola de luta” mostra o momento vitorioso dos secundaristas goianos que conseguiram barrar a privatização do ensino público (via as O.S.) ao ocupar as escolas e tensionar para um novo modelo educacional visando o aluno como sujeito do aprendizado. “Sobrevivendo em tempos de ódio” foi um grito, um clamor pela resistência em meio a destruição dos direitos sociais e o aumento da repressão aos movimentos sociais que estamos vivendo. Enfim, para não delongar muito, essas são algumas das ideais que a galera pode esperar ao ouvir nosso álbum.

Esses trabalhos anteriores ainda tem uma boa receptividade da galera?

Bem, acho que sim. O cd de 2012, Gerações Perdidas, foi lançado por vários selos/coletivos libertários que incluem países como México, Peru, Chile e Argentina. O ep que saiu em vinil, Motivos para resistir, foi possível a partir de um coletivo de selos do Brasil e com a ajuda de diversas pessoas ele foi prensado na Europa, trazido para cá e distribuído de forma totalmente autônoma. Nos shows, a pedido do público, sempre gostamos de tocar músicas de todos nossos materiais, na gig de lançamento do mais novo álbum vamos lembrar de todas as fases da banda no nosso setlist. 

A banda já tem quase 15 anos de estrada, preparando o lançamento do quarto trabalho e devem estar se preparando uma série de novos shows também… Por onde vocês já passaram e por onde ainda pretendem passar em nova gigs?

A nossa trajetória começou em 2010, quando a banda foi formada em um quartinho nos fundos de uma fábrica de móveis no Vila Nova. Em 2011, de forma autônoma, a banda lançou o seu primeiro material, a demo Contra o Extermínio da Juventude, Se Organize e Lute!. Em 2012, lançamoso álbum Gerações Perdidas, juntamente com um coletivo de selos do Brasil e da América do Sul, que registrou os sons feitos nesses seus primeiros anos de trajetória. Após várias apresentações pela BA, DF, GO, MG e SP, em 2015 a banda gravou o EP Motivos para Resistir, distribuído em vinil em parceria com selos independentes de todo país. Em 2019, a banda gravou Sobrevivendo em Tempos de Ódio, planejado para celebrar os 10 anos da banda em 2020. Porém, com a pandemia, a banda interrompeu suas atividades, retornando apenas em 2024 com nova formação: Matheus (vocal), Fred (bateria), Guilherme (baixo) e Netão (guitarra).

Agora, a Gerações Perdidas se prepara para o lançamento do álbum Sobrevivendo em Tempos de Ódio e tem planos para uma discografia completa e um novo EP com cinco faixas inéditas para 2025.

Como a banda foi formada e qual é a história de vocês até agora?

A banda nasceu em 2010, moldada por influências políticas e sonoras do universo do punk/hardcore e pela necessidade de expressar a indignação diante das injustiças diárias e do terrorismo de Estado perpetuada nas periferias. Suas letras são carregadas de crítica social, abordando temas como a exploração humana, o militarismo, as guerras, o extermínio da juventude, a devastação ambiental, a manipulação da grande mídia e o massacre dos povos indígenas. Com um teor que vai além da denúncia, as músicas também incentivam a organização social, propondo alternativas de resistência e combate ao sistema opressor.

Onde o Gerações Perdidas se encaixa na cena punk/hc?

Bem, aí acho que é uma pergunta que o público da banda responderia melhor.. Mas, quando começamos, nos encaixamos na cena libertária que existia na cidade, organizávamos eventos juntos com os coletivos e selos. Também buscávamos nos aliar/participar nas lutas dos movimentos sociais, nesse ponto tocamos em diversos eventos nas jornadas de lutas pelo transporte público de 2013, nos movimentos de ocupações de escolas públicas pelos secundaristas contra as OSs em 2014-15 e nas ocupações dos estudantes das instituições federais de ensino durante entre 2015-16. 

 Deixe um recado pra galera…

Gostaria de usar esse espaço para agradecer o espaço dado no zine nesse momento de retorno da banda. Também gostaria de agradecer todos os espaços, ocupas, centros culturais, casas de shows que a Gerações Perdidas tocou em sua década de existência e aos amigos que fizemos em Goiás, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo; a toda movida libertária, periférica e underground que pudemos somar. A todas as pessoas, selos e distros que contribuíram para o lançamento dos nossos materiais!

Um forte abraço a todos aqueles que contribuíram nessa jornada!

Matheus. 


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

COLUNAS ANTISSOCIAIS: JECA TOTAL, O MONSTRO E O COACH

 


Jeca Total, o monstro mutante e o coach

Na música Jeca Total, Gilberto Gil imaginou um homem sertanejo emancipado, represertando sua gente no senado, lutando pela elevação do teto salarial no sertão. Rompia assim com aqueles esteriótipos racistas e coloniais do Jeca Tatu, personagem através do qual Monteiro Lobato havia representado o homem sertanejo anteriormente.

O Jeca Total de Gil, porém, não se realizou.
Em lugar disso, vimos um tipo inusitado chamar atenção: o Jeca coach. Pablo Marçal, com seu sotaque caricato, tornou-se talvez o primeiro goiano a ocupar o 3° lugar na eleição para prefeito de São Paulo, a maior cidade do Brasil.

Enquanto oriundo dessa parte do sertão brasileiro que é Goiás, Pablo Marçal representa, na verdade, não um sertanejo emancipado, mas uma espécie de aberração. Surgida no momento em que Goiás produz "rios de dinheiro", consagrando-se como celeiro do agro, do tóxico e do fake grão transgênico (para usar as palavras de Fred 04, da banda Mundo Livre SA).

Esse novo sertão, das comoditys, do milho e da soja, dos grandes frigoríficos de carne, assume as formas de um monstro mutante. Que se alimenta de resíduos químicos, contratos milionários, corrupção, camionetes espalhafatosas, trabalho análogo à escravidão...

Esse monstro cresce demasiado, torma-se incontrolável como um verdadeiro Godzilla. E defeca personagens estranhos, como Gustavo Lima e Pablo Marçal.

Com o Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, eles compartilham, talvez, a falta de educação emancipadora, os maus costumes, a porcaria e a abjeção. Reproduzem portanto esteriótipos rascistas e coloniais. Com o Jeca Total, de Gil, eles não compartilham absolutamente nada. Representam, na verdade, o seu inverso. São motivo de piada e vergonha, ao invés de orgulho. Não trazem nenhuma emancipação. Mas alegram a festa dos paulistas, trazem um divertimento banal. "Exóticos", talvez tragam a eles um pouco de emoção.

Quem produziu esse monstro foi o não-sertão, o centro econômico hegemônico brasileiro, sua divisão de papéis, de acordo com as necessidades de lá.

Agora, o centro se assusta com o que vê. O monstro cresceu demasiado e defeca suas consequências. São Paulo agora sofre com o odor das fezes do monstro que ela mesma ajudou a criar.

Autor: Supriano
Ilustração: Salomão Montenegro

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

TRANSITANDO ENTRE O ROCK CLÁSSICO E O PÓS-PUNK, THE LAST SHOT LANÇA VÍDEO DA FAIXA "TRY AGAIN"

The Last Shot é um quarteto de rock’roll autoral fundado em 2018, cujo som transita entre o rock clássico e o pós- punk. Com vocais e temáticas que remetem ao classic rock, o quarteto é formado por Juliano Padilha (violão e voz), Zó Dias (sintetizadores), Tayná Chaves (baixo) e Wendel (bateria).

A banda, que tem se destacado com apresentações únicas e intensas valendo-se da metalinguagem e temas existenciais como forma de expressão musical, lançou recentemente seu primeiro trabalho e a faixa “Still” já ganhou destaque nas plataformas digitais. Agora é a vez da banda lançar o vídeo da música “Try Again”, que estreia amanhã nas redes sociais.

O Dr. Gori bateu um papo com o vocalista Juliano Padilha sobre o lançamento do vídeo e a fase produtiva que  banda vem atravessando.


Porque a música “Try Again” foi escolhida par ao clip?

A música "Try Again" foi escolhida para o clip, porque percebemos ser a que mais chamou atenção positivamente do público e crítica, pelo menos, até agora... rsrs.

Como foi a repercussão do lançamento da música Still, nas plataformas digitais?

A música "Still" é bem minimalista, assim como várias outras, principalmente quanto à letra; trata-se de uma canção intimista, calcada na simplicidade e com apelo sentimental, por isso consideramos a repercussão ainda um pouco modesta... levando-se em conta a sonoridade ser mais digerível e envolvente.

Essa música tem a participação do Gustavo Vazquez, que foi o produtor do disco. Como foi trabalhAa com ele de forma geral?

O Gustavo Vazquez realmente é um grande mestre, super profissional e atento à proposição da banda. Trabalhar com ele foi uma satisfação imensa, pois houve uma identificação musical mútua bem interessante durante todo processo, tanto é que ele tem feito várias participações em nossos shows, o que torna tudo muito mais criativo e empolgante de se fazer, o consideramos, praticamente, um membro da banda já. 

Vocês também gravaram um material durante a última edição do Goiânia Noise…

Sim, gravamos a inédita "War Again", na última edição do festival Goiânia Noise, a qual fará parte do nosso próximo álbum e, com certeza, será uma bela surpresa para todos, pois é uma música que gostamos muito e tem tudo para ser bem aceita; inclusive já está incluída em nosso repertório para os próximos shows. Sonzeira total, isso, para quem se identifica com o  a proposta da banda, é claro...

A banda é muito atuante nas redes sociais e nos festivais, se tornando cada vez mais conhecida. Como é feito esse trabalho de divulgação?

Bem, consideramos a atuação nas redes sociais ainda precária e amadora, isso talvez por não importarmos tanto com essa questão, levando-nos a fazê-la por necessidade mesmo. Na verdade, achamos que é um pouco chato e apelativo ficar com divulgação maçante nas redes; entretanto entendemos que, hj em dia, é um dos únicos caminhos que funcionam para sobrevivência de qualquer banda. Então, procuramos divulgar o nosso som de maneira não muito invasiva, sem apelação e com visual e estilo que sejam compatíveis com a proposta da banda e do público que temos formado.

Como a banda foi formada?

A banda foi formada essencialmente por uma necessidade intrínseca de se fazer música, sem amarras ou muitas preocupações quanto a ter reconhecimento ou não. Outro aspecto também importante para atual formação da banda foi a ausência de pre definição do estilo... isso ficou por conta de cada um dos integrantes, os quais colocaram sua maneira de tocar e fazer som sem que os outros interfiram na criação. Assim, depois de algumas alterações nos integrantes da banda, a formação atual é bem concisa e tem uma simbiose muito agradável para criação e execução das canções.

Os integrantes tem uma boa experiência de estrada e de palco e os shows são considerados viscerais. Como é trabalhar com essa galera?

Tocar com a galera da The Last Shot é só alegria, puro rock n roll, diversão, bom papo... praticamente todos ensaios viram festinhas regadas a muita sonzeira, bebedinhas diversas, comidinhas legais para os laricados e não laricados tb rsrs. Os shows são únicos, carregados de emoção, cada apresentação traz a energia certa para a ocasião, tornando-os surpreendentes e inesquecíveis, pelo menos para nós da banda, o que é importante para o desenvolvimento, tanto da banda quanto do público em geral. 







terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

SPIRITUAL CARNAGE: O RETORNO TRIUNFAL AO UNDERGROUND!

 


Formado em 1989 em Goiânia, o Spiritual Carnage nasceu com a proposta de fazer um death metal influenciado por bandas como Morbid Angel e Cannibal Corpse, abordando temáticas como o instinto humano, sua desgraça e inutilidade de sua luta existencial e espiritual.

Considerados um dos pilares do death metal nacional, o Spiritual Carnage conquistou um público fiel e cativo com trabalhos consistentes e que se tornaram clássicos do  estilo, como “Pre-destined Death” (1990),  “Creeping Under the Black Souls” (1992), “Spiritual Carnage (1997), “Sheltered in Flames (2002) e “Voices of Darkness” (2006), além de ter participado de várias coletâneas e tocado ao lado de lendas como Master, Destruction e Cannibal Corpse, tornando inegável sua contribuição para tornar a cena da música extrema do underground brasileiro cada vez mais forte.

Em 2005, a banda ganhou até um show tributo, onde as principais bandas da cena metal goiana da época fizeram uma homenagem tocando suas músicas ao vivo. Antes de encerrar suas atividades em 2014, lançaram o single "Nothing Can Heal", seu último trabalho oficial.

Com a missão de se renovar, a banda resolveu retomar as atividades e hoje é formada por Hemar Messiah (baixo/vocal), Alexandre Greco (guitarra), o lendário Gilberto Black que retoma a função na bateria, e o guitarrista Guilherme Ferreira (Overbreed/Soraya). “Com isso, renovamos a cada dia nosso público e fazemos com que cada vez mais as pessoas possam ter acesso ao nosso som e história, já que fomos os primeiros a tocar música extrema em Goiânia”, afirma o baixista Hemar Messiah, com quem o Dr.Gori conversou sobre esse grande retorno aos palcos, que acontece no Martin Cererê, ao lado das bandas Death Slam, Light Years, Leprosy, Arvak e Zeugma, e que promete honrar e muito esses 34 anos de caos sonoro!

São muitos anos de estrada com várias formações e um retorno muito festejado em todo o underground. O que podemos esperar dessa nova fase do Spiritual Carnage?

Spiritual Carnage: Primeiramente, queremos agradecer a todos os fãs e amigos que nos apoiaram ao longo dos anos. Essa nova fase é uma mistura de nostalgia e renovação. Voltamos com a mesma paixão pelo death metal, mas também trazemos novas influências e experiências. Esperem riffs brutais, letras intensas e uma energia avassaladora no palco. Queremos retribuir todo o carinho que recebemos e mostrar que o Spiritual Carnage está mais vivo do que nunca.

Qual é a expectativa da banda em voltar aos palcos com o Spiritual Carnage depois de tantos anos, com parte da formação clássica?

Spiritual Carnage: A expectativa é enorme! Reunir parte da formação clássica foi emocionante. Estamos ansiosos para tocar juntos novamente e reviver aqueles momentos intensos que compartilhamos no passado. Sabemos que os fãs também estão empolgados, e mal podemos esperar para sentir a energia da plateia quando subirmos ao palco.

Como surgiu a ideia dessa reunião?

Spiritual Carnage: Tudo começou com uma ligação do nosso baterista original, que estava nostálgico e sentiu que era hora de reunir a família do death metal. Conversamos, relembramos histórias e percebemos que ainda tínhamos muita música para criar juntos. A ideia da reunião surgiu naturalmente, e aqui estamos nós, prontos para detonar novamente.

A nova formação vai permanecer tocando junto ou é só algo a nível de celebração mesmo?

Spiritual Carnage: A celebração é importante, mas não queremos que seja apenas isso. A nova formação está comprometida em continuar tocando juntos. Temos planos para novas músicas e shows. Queremos manter o espírito do Spiritual Carnage vivo e conquistar novos fãs com nossa música.

O último material lançado pela banda foi o single “Nothing Can Heal”, de 2014. Existe algum plano para trabalhar algum material novo?

Spiritual Carnage: Com certeza! Estamos compondo novas músicas e explorando diferentes sonoridades. Queremos lançar um álbum completo em breve. “Nothing Can Heal” foi apenas um vislumbre do que está por vir. Aguardem por mais brutalidade e intensidade!

O Spiritual Carnage é considerado uma das bandas mais influentes do death metal brasileiro. Como você analisa a trajetória da banda durante todos esses anos dentro do underground?

Spiritual Carnage: É uma honra sermos reconhecidos dessa forma. A trajetória do Spiritual Carnage foi marcada por desafios, mas também por momentos incríveis. Passamos por altos e baixos, mas sempre mantivemos nossa paixão pela música. O underground é nossa casa, e é onde encontramos nossa verdadeira família. Agradecemos a todos que nos apoiaram e continuaremos a lutar pelo metal extremo.

Deixe um recado pra galera e faça o convite pra galera comparecer ao evento.

Spiritual Carnage: A todos os headbangers, fãs de metal e amantes do underground, não percam nosso show de retorno junto com as bandas que estaram participando! Será uma noite épica de pura destruição sonora. Dia 17/02/2024, às 16h, no Centro Cultural Martim Cererê. Venham celebrar conosco e fazer parte dessa história. Preparem-se para o caos! \n/


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

"ECOS DEL ABISMO - 8 AÑOS DESTRUYENDO TUDO": DESTRUIDÖ TOCA EM 15 CIDADES NO BRASIL

Destruidö surgiu no México em 2015, quando Eliceo e Dulce tocaram uma música juntxs e pensaram em formar uma banda ainda no primeiro ano do ensino médio, já tinham decidido que o punk era um estilo de vida. Chester, outro amigo da vizinhança, foi o primeiro baixista e Diego, que é outro amigo que conhecemos desde sempre, aproveitou a chance de tocar guitarra, ele começou a tocar alguns riffs bastardos, e foi assim que surgiu a primeira música, “Homeless attack”.

Com a turnê “Ecos del Abismo – 8 años Destruyendo todo” rodando o Brasil nesse início de ano, a banda esteve em Goiânia para um show concorrido, os fundadores da banda falaram com o Dr. Gori sobre a tour e os planos de lançar em breve o álbum comemorativo de 8 anos da banda.



A banda foi formada em 2015 e tem uma vasta experiência no underground de forma geral. Como você vê a trajetória da banda nesse período?

Eliceo: Acredito que a banda passou por diversas fases ao longo desse período, enfrentando mudanças de membros e pausas prolongadas. No entanto, mantivemos firmeza nas ideias para continuar fazendo barulho underground.
Dulce: Eu acho que nossa trajetória no underground começa desde moleques, esto foi uma grande ajuda para formar muitas conexões com pessoal de todo canto no M
éxico, e desde o começo nós tivemos muito suporte. A banda teve algumas mudanças de músicos, mas a ideia de fazer um punk crudo e agressivo prevaleceu e é parte do coração da Destruidö.

O Destruidö está fazendo sua primeira turnê no Brasil em Janeiro de 2024. Qual é a sua expectativa para essa tour?
Eliceo: Fazer amigos, se divertir bastante e ter muita diversão, principalmente conhecendo a forma local e crua como o punk é vivido no Brasil. Também esperamos conviver e conhecer as bandas com as quais compartilharemos o palco em cada show.
Dulce: Nós nunca tivemos uma turné igual a esta, é a primeira vez que a gente tem tantas datas confirmadas, agora sâo 15 shows por todo o Brasil e nós sabemos que é uma cena ultra significativa em todo o mundo, cheia de pessoal fazendo muito pelo underground, ficamos muito felizes de compartir palco com bandas clás
sicas como Skarnio, Besthoven, Karne Krua, e com muitas bandas que vamos conhecendo e curtido demais, e eu pessoalmente fico muito feliz de ver tanta participação feminina em toda atividade e de ver muitas crianças e novas gerações curtindo o rolé do punk.

Uma curiosidade sobre abanda é a localidade onde cada membro mora. Parece que vocês moram em cidades diferentes e se juntam para ensaiar e fazer os rolês! Como é esse trabalho e como fazer para isso dar certo? Afinal a banda lança material inédito e toca de forma regular…
Eliceo: Atualmente, apenas Priscila e eu moramos em Guadalajara, enquanto Dulce vive em Gama, Brasil. Tentamos ensaiar e compor juntos sempre que possível, passamos as músicas para Dulce escrever, e quando estamos juntos, ensaiamos tudo.
Dulce: Até o ano passado nos morávamos todos em Guadalajara, então era mais fácil fazer os ensaios e compor novas músicas, agora que ficamos um poco expalhados nosso plano é seguir lançando novo material a distança e tentar tocar aõ vivo o más que pudermos.

Como foram as experiências de tocar fora em outros países e como anda os planos da banda para o underground internacional? 
Eliceo: As experiências em outros foram únicas em cada um. A maioria dos momentos foi positiva, embora tenhamos enfrentado algumas situações desconfortáveis devido à falta de empatia de alguns organizadores. No entanto, compreendemos que cada país apresenta circunstâncias diferentes, e podem surgir desafios de diversas formas. Até agora, os planos visam continuar lançando material e realizar mais turnês em diferentes países.
Dulce: Nós tivemos a oportunidade de tocar na Colombia e no Canadá e foram experiencias legais demais. Na Colombia da para notar um poco as diferenças da uma cena más crusty dbeat e uma mais punk da rua, mas eu achei llegal todo este rolé, produzem demais, o pessoal vive muito o d.i.y , e sempre tem alguem que faz o visual, as camisetas, os tapes e cds e os shows, adorei que quasi todas as bandas tem Minas também.
No Canadá eu ache muito legal la cena latinoamericana, tem muita gente da Colombia, Perú, Salvador, Brasil e muitos mexicanxs, tanto que os 2 festivais que nos fizemos são organizados por pessoal do México. Mais também tivemos oportunidade de tocar em Quebéc profundo, eles falam francés e além de sua cena ser um pouco fechada por motivos culturais, som muito calorosos e legais. Eu achei muito legal também o pessoal das comunidades indígenas curtindo os shows punkys.

Vocês também planejam olançamento de um material comemorativo de 8 anos. O que esperar desse novo material e quando ele será lançado? 
Eliceo: Sim, lançamos uma compilação de nossos álbuns em dezembro de 2023. Incluímos algumas músicas feitas ao longo desses 8 anos, como nossa primeira canção "Homeless Attack" e nosso primeiro demo "Crimen de estado", que aborda os 43 estudantes desaparecidos em 2014 em Guerrero, México. Há também músicas criadas com Priscila e Beh dos últimos álbuns "Inferno" e "Necropolis".
Dulce: Neste rolé o Fofão de Besthoven tem sido uma ajuda gigante, ele quem fez tudas as conexões para tocar no Brasil todo e ele quem lançou a compilação de nossos dois últimos materiais com a Discordia Récords, Ulixo punk e Vlad tapes. Esta é uma edição muito especial para nos, pois como ja falé, nunca tivemos um rolé assim de longe e bem organizado, além que ficou ultra lindo el digipack e o tape, nos temos disponivel já já em todos os shows e pelas redes sociais.

Fale um pouco sobre ostrabalhos antigos de vocês Destrucción Total (2016), Homeless Attack (2019) e  Infernö (2022), como ajudou a banda a evoluir e como eles trouxeram a banda até aquí.
Eliceo: Os primeiros álbuns "Destrucción Total" e "Homeless Attack" foram produções caseiras DIY que fizemos em meu quarto com nossas primeiras músicas. Esses álbuns foram feitos com os membros originais, e em "Infernö", já contamos com Priscila, nossa atual baixista. O último disco, "Necropolis", foi gravado com o apoio e colaboração de Beh, guitarrista de Grave/Mal. Chegar onde estamos se deve ao lançamento do nosso material e ao apoio das pessoas, conectando-nos com mais fãs em diferentes países.
Dulce: Destruccion total é nosso primeiro material e eu acho muito especial pois foi simplesmente uns amigos querendo fazer ruido e gritar nosso odio. Homeless attack foi mais um demo para gravar músicas que nos ja tinhanos escritas. Inferno e Necrópolis que sâo 2022 e 2023 e já com a participação da Piu no baixo e dá para notar que a banda ficou mais madura em questão musical e também na idea que nos queremos transmitir, Destruido sempre foi uma banda política.

Deixe um recado para agalera de Goiânia e do underground em geral…
Continuem acreditando em seus projetos e ideias. Apoiar os projetos locais e dos amigos pode alcançar grandes conquistas. Às vezes, bandas e projetos locais são menosprezados por serem "locais", mas podem ser muito apreciados internacionalmente e ter um grande impacto global. Continuem encarando o punk como um estilo de vida, não como uma moda ou negócio. This is DisLife e DIY para sempre.
Dulce : Arriba lxs punks !!!